quinta-feira, 10 de julho de 2014

Homens vestidos de mulheres nos anos 50

foto: Luís Marques
“Homem que é homem se veste como tal”, “vai usar essas roupa coladinha de mulherzinha, é?”. Essas falas, provavelmente, muitas das pessoas que leem este post já ouviu de alguém. Um dos pontos polêmicos sobre as questões de gênero é quando se fala na dissociação entre orientação sexual e identidade de gênero. Enquanto a primeira diz respeito a atração sexual, a segunda é o gênero com que a pessoa se identifica. Muitas pessoas argumentam, erroneamente, que se um homem gosta de se vestir como mulher, então, automaticamente, ele será gay.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Breve história de Maria Greyci

Eu era várias - por: Luís Marques
Vários. Vários. Sabiamente vários. Pausas de Maria Greyci. Depois de sair da vagina de minha mãe, rotularam-me com um conjunto de letras às quais disseram ser meu nome. Em seguida, vestiram-me de roupas rosas com estampas florais e delicadas. Ninguém podia perguntar se era aquilo que queria usar. Mas eu também gostava de outras cores, o rosa não me agradava tanto. Preto e roxo davam-me uma certa paz. Ninguém podia perguntar se era aquilo que queria usar.

Restritos. Restritos. Sabiamente restritos. Escolhas de Maria Greyci. Quando fiz doze anos tive vontade de usar cuecas. Meus pais me olharam com desaprovação, achavam que aquilo era sinal de que gostava de mulheres. Continuava a gostar de homens. Ali nossa distância começava a tomar formas mais explícitas. Parei de usar cuecas, aprendi a gostar de calcinhas. Segui, não chorei diante da restrição deles, segui os amando, embora também amasse cuecas.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Identidade de Gênero

Arthur, 13 anos
Foto: Rafa Borges

Há momentos em que a criança se recusa a ser associado com a identidade sexual (menino ou menina), que corresponde ao seu sexo anatômico. Esta recusa não é um crescimento transitório e persistente. São as chamadas crianças transgênero. O papel dos pais é fundamental para o bem-estar das crianças transgênero, pois, à medida que vão crescendo, crianças transgêneros experienciam rejeição e muitas vezes são intimidadas, o que promove uma estigmatização e isolamento social. A reportagem divulgada pelo iGay conta como é essa experiência familiar. (Jéssika Queiroz)


Por Iran Giusti

Arthur, transexual de 13 anos: “Acham que só quero chamar atenção”

Mesmo enfrentando preconceito e incompreensão fora de casa, o adolescente teve apoio total da família para assumir gênero oposto ao de nascimento
Artur (Centro) e a família: Mãe Juliana da Silva Fernandes, os irmãos gêmeos, Enzo e Júlio e o pai Fabricio Alves.
Foto: Rafa Borges 

"Mãe, tirei zero na prova de História porque escrevi o meu nome social e não o de registro. A professora disse que eu tinha rasurado". Em seu primeiro contato com a reportagem do iGay, o menino Arthur Fernandes Alves já chega contando o problema pelo qual passou na escola. A situação exemplifica o tipo de percalço enfrentado por um menino transexual de 13 anos de idade, que vive em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

Apesar de incomodar, um problema como esse não abate Arthur. Com seus cabelos azuis e camisa preta de banda, ele é um adolescente como muitos outros, cheio de paixões e aspirações. Além dos HQs de mangás orientais, o jovem se diverte ouvindo bandas como Green Day e MyChemical Romance.
Cabeleireiro e tatuador são as profissões que Arthur pensa seguir quando for adulto. Cursando o oitavo ano do ensino fundamental, ele aprendeu inglês e japonês estudando por conta própria em casa.
Nascido menina, Arthur se percebeu diferente já aos quatro anos de idade. "Sempre gostei de andar com os meninos, o melhor presente que ganhei na minha vida foi uma pista de carrinhos", revela o adolescente, que teve a sorte de vir ao mundo num ambiente livre de preconceitos. A mãe, Juliana da Silva Fernandes, é uma bióloga de 36 anos. Psicólogo de formação, o pai, Fabrício Alves, tem 37 e trabalha como bancário.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Visibilidade trans: mulheres que você precisa conhecer



Símbolo do Transfeminismo

A Semana de Blogagem Coletiva pelo Dia da Visibilidade Trans foi realizada pelos blogs Transfeminismo, Blogueiras Feministas e True Love. Este último trouxe uma lista com 27 mulheres trans militantes, algumas do movimento  LGBT e outras em defesa da igualdade de gênero, escolhidas a partir de uma lista que contem 100 mulheres, criada por Jen Richards e Antonia D´Orsay, ambas de organizações que desenvolvem projetos para a comunidade trans.
É interessante conhecer a lista, e saber o que essas 27 mulheres trans realizam. Veiculada por True Love em janeiro deste ano. Veja a lista no link: http://truelove.com.br/2014/01/muito-mais-do-que-seus-preconceitos-27-mulheres-trans-que-voce-precisa-conhecer/ (Carolina Ferreira)

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Em carta, mulheres denunciam violência de gênero


foto:  Luís Marques
No começo deste mês ocorreu no Recife o 1º Encontro Nacional de Mulheres promovido pelo Movimento Olga Benário. Nesse encontro foi divulgada  a Carta de Recife, uma síntese dos debates ocorridos no evento, com reivindicações do movimento de mulheres, alertando para os perigos do aumento da exploração sexual em decorrência da Copa do Mundo e também para a violência em função do racismo aliado ao machismo. (Luís Marques)
A íntegra da Carta pode ser conferida no link abaixo:



quinta-feira, 22 de maio de 2014

Colóquio: Gênero e Sexualidade - Parte V

Hoje, postamos a última parte do Colóquio sobre Gênero feito por estudante de Jornalismo da Universidade Federal da Paraíba para a disciplina de Cidadania e Jornalismo, ministrada pelo professor Carmélio Reynaldo. O primeiro fala sobre traição, prostituição, feminismo. Enquanto que o segundo vídeo trata sobre o feminismo, machismo e a diversidade sexual na escola. Lembrando que a entrevistada foi Glória Rabay, pesquisadora de Políticas Públicas em Gênero e Raça. Os outros vídeos do Colóquio podem ser acessados nos posts anteriores. 







Luís Marques

quarta-feira, 21 de maio de 2014

O que são pessoas cis e cissexismo?



Vivemos em uma sociedade ciscêntrica, cisnormativa. Isso ocorre porque as pessoas cis detém o poder de decisão sobre as pessoas não-cis dentro de vários âmbitos: Médico, Político, Jurídico, Financeiro etc. Reportagem divulgada pelo site (http://ensaiosdegenero.wordpress.com) no dia 17 de setembro de 2012 (Rodrigo Andrade). 

Por Hailey Kaas
O que são pessoas cis e cissexismo?

Mas quem são as pessoas cis? Utilizei a seguinte definição a priori:
“Uma pessoa cis é uma pessoa na qual o sexo designado ao nascer + sentimento interno/subjetivo de sexo + gênero designado ao nascer + sentimento interno/subjetivo de gênero, estão ‘alinhados’ ou ‘deste mesmo lado’ – o prefixo cis em latim significa “deste lado” (e não do outro), uma pessoa cis pode ser tanto cissexual e cisgênera mas nem sempre, porém em geral ambos.”
Uma pessoa cis é aquela que politicamente mantém um status de privilégio em detrimentos das pessoas trans*, dentro da cisnorma. Ou seja, ela é politicamente vista como “alinhada” dentro de seu corpo e de seu gênero.
Foto: site Ensaios de Gênero
Quero evitar dicotomizar aqui sexo e gênero, pois muito embora essas categorias sejam divisíveis para problematização, a ideia que a ciência construiu sobre o sexo é pré-discursiva, ou seja, é como se fosse compulsoriamente uma verdade.
Voltando na definição cis. Eu já havia retificado minha afirmação prévia em outra postagem, na qual elimino a discussão etimológica sobre o prefixo cis, porque não é cabível em uma discussão que se quer puramente política. Não queremos criar uma dicotomia entre pessoas cis e pessoas trans* e sim evidenciar o caráter ilusório da naturalidade da categoria cis.
O alinhamento cis envolve um sentimento interno de congruência entre seu corpo (morfologia) e seu gênero, dentro de uma lógica onde o conjunto de performances é percebido como coerente. Em suma, é a pessoa que foi designada “homem” ou “mulher”, se sente bem com isso e é percebida e tratada socialmente (medicamente, juridicamente, politicamente) como tal.