Texto divulgado pelo blog Ensaios Sobre
Gênero. Nele, o autor discute sobre as questões de masculinidade e feminilidade
nos banheiros públicos, fazendo uma analogia à sociedade e suas diretrizes na
construção do gênero, seja ele feminino ou masculino. Reportagem divulgada em
04/05/2012 (http://ensaiosdegenero.wordpress.com/).
(Rodrigo Andrade)
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| Foto: site Ensaios Sobre Gênero |
Por Lucas Passos
Ocupado ou livre, banheiro masculino ou
feminino, homens ou mulheres, chapéu masculino ou feminino, damas ou
cavalheiros, pictograma masculino ou feminino – o que há por trás dos banheiros
públicos, dos mictórios, daquelas cabines onde você, estando apertado ou não,
vai fazer merda, mijar, os dois, alguém está com diarréia? Aliás, parece justo
supor que existe um mais do que a matéria, do que a organização, do que o
pictograma masculino ou feminino, um tipo de relação de poder que seria
anterior a essas representações e que fosse mesmo o lugar por onde elas
emergiram? O banheiro público está a serviço de quem? Da merda, da urina?
Pensemos, por exemplo, a partir do texto Banheiros
públicos segregados: mais um ataque aos LGBT, de Adriano Senkevics nesse
blog, no cartunista Laerte Coutinho, indo ao banheiro feminino e sendo barrado,
depois de reconhecido, porque no “fundo da cena”, além das roupas femininas, do
cabelo longo, da maquiagem, Laerte é homem e Laerte deve ir ao banheiro
masculino, ao banheiro que está sob o signo de “cavalheiros”, “chapéus
masculinos”, o famoso pictograma masculino que indica que aqui sim é um
banheiro para homens!







