sábado, 26 de julho de 2014

Banheiros, próteses de gênero: uma análise para além da sujeira

Texto divulgado pelo blog Ensaios Sobre Gênero. Nele, o autor discute sobre as questões de masculinidade e feminilidade nos banheiros públicos, fazendo uma analogia à sociedade e suas diretrizes na construção do gênero, seja ele feminino ou masculino. Reportagem divulgada em 04/05/2012 (http://ensaiosdegenero.wordpress.com/). (Rodrigo Andrade)

Foto: site Ensaios Sobre Gênero

Por Lucas Passos
Ocupado ou livre, banheiro masculino ou feminino, homens ou mulheres, chapéu masculino ou feminino, damas ou cavalheiros, pictograma masculino ou feminino – o que há por trás dos banheiros públicos, dos mictórios, daquelas cabines onde você, estando apertado ou não, vai fazer merda, mijar, os dois, alguém está com diarréia? Aliás, parece justo supor que existe um mais do que a matéria, do que a organização, do que o pictograma masculino ou feminino, um tipo de relação de poder que seria anterior a essas representações e que fosse mesmo o lugar por onde elas emergiram? O banheiro público está a serviço de quem? Da merda, da urina? Pensemos, por exemplo, a partir do texto Banheiros públicos segregados: mais um ataque aos LGBT, de Adriano Senkevics nesse blog, no cartunista Laerte Coutinho, indo ao banheiro feminino e sendo barrado, depois de reconhecido, porque no “fundo da cena”, além das roupas femininas, do cabelo longo, da maquiagem, Laerte é homem e Laerte deve ir ao banheiro masculino, ao banheiro que está sob o signo de “cavalheiros”, “chapéus masculinos”, o famoso pictograma masculino que indica que aqui sim é um banheiro para homens!

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Nome social no Enem

A matéria a seguir destaca a importância histórica da medida tomada pelo MEC de incluir o nome social no seu edital do Enem 2014. Essa contribuição fortalece o rompimento das desigualdades de gênero. (Jéssika Queiroz)

Transexuais e travestis têm a oportunidade de usar o nome social no Enem



   A liberação foi autorizada pelo MEC, mesmo não estando no edital do exame. A medida já era esperada pela Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (AGBLT), que se reuniu em audiência com o ministro da Educação, José Henrique Paim. A associação abraçou a causa desde a última edição do Enem, quando candidatas transexuais relataram constrangimentos ao assinar um formulário destinado a estudantes que não tinham identidade ou documentos oficiais. Segundo Toni Reis, secretário de Educação da AGBLT, embora Paim tivesse garantido que a inclusão do nome social já constaria do edital do Enem 2014, a opção discriminada no site já é um avanço.
   Mais de 68 transgêneros se inscreveram. A medida foi atrativa e espera-se que o número de candidatos aumentem porque, diferente do que ocorreu ano passado, as pessoas não vão passar por constrangimentos no dia da prova. A atual dificuldade é: o nome social não consta no cadastro, ele foi passado por telefone pelos interessados. O fim do prazo para a solicitação foi junto com o fim das inscrições. Agora, o Inep está ligando e confirmando o nome social, a forma de tratamento e o banheiro que quer utilizar.
   Algumas instituições de ensino superior, como a Uerj, a Universidade Federal de Sergipe (UFSE) e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina (IFSC) já permitem a adoção do nome social. Na educação básica, em grande parte do país também já fazem o uso do nome social sem grandes problemas. 

Matéria originalmente publicada no → Brasileiríssimos

terça-feira, 22 de julho de 2014

Libertem-se!


Homens são criados para comandar o mundo. Desde as mamães que fazem questão de que seus filhos não lavem os pratos até a educação sexual que manda “pegar geral”. A construção da masculinidade segue padrões rígidos que vão da primeira bolinha de futebol até a obsessão pelo tamanho dos órgãos genitais. O problema é que essa construção social é frágil, e quando ameaçada por qualquer demonstração de fraqueza, afeto ou qualquer coisa que seja lida como “feminina”, torna-se sinal de fragilidade ou emasculação. 

Essa hipermasculinidade tão incensada e tão insensata que se julga séria vem sendo discutida através da campanha “Homens, Libertem-se/MenGetFree”, do coletivo mo[vi]mento MG/RJ em parceria com o grupo de teatro The Living Theatre, de Nova York. 

A ideia da campanha é questionar o sistema patriarcal e as dimensões da construção do homem, promovendo maior respeito entre os gêneros. 


A campanha pede a libertação dos homens pela quebra dos aspectos que giram em torno do “gênero masculino”, pelo desfrutamento da liberdade de ser quem é e não o que a sociedade machista impõe. Somos muitos, todos diferentes e o respeito por nossas diferenças não deve ser pedido e nem conquistado, respeito é um direito universal.

Jéssika Queiroz

domingo, 13 de julho de 2014

A prostituição na Paraíba

A professora Loreley Gomes Garcia, do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal da Paraíba, tem realizado pesquisas sobre a prostituição. Um de seus mais recentes trabalhos foi sobre a prostituição no interior da Paraíba, nas cidades de Mamanguape, Mari, Sapé e Guarabira. Para muitas pessoas, a prostituição é vista como atividade indigna, mas a pesquisa revelou que existem mulheres prostitutas que têm apoio da família e da comunidade. O repórter Luís Marques explica mais sobre esse assunto no áudio abaixo. 


quinta-feira, 10 de julho de 2014

Homens vestidos de mulheres nos anos 50

foto: Luís Marques
“Homem que é homem se veste como tal”, “vai usar essas roupa coladinha de mulherzinha, é?”. Essas falas, provavelmente, muitas das pessoas que leem este post já ouviu de alguém. Um dos pontos polêmicos sobre as questões de gênero é quando se fala na dissociação entre orientação sexual e identidade de gênero. Enquanto a primeira diz respeito a atração sexual, a segunda é o gênero com que a pessoa se identifica. Muitas pessoas argumentam, erroneamente, que se um homem gosta de se vestir como mulher, então, automaticamente, ele será gay.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Breve história de Maria Greyci

Eu era várias - por: Luís Marques
Vários. Vários. Sabiamente vários. Pausas de Maria Greyci. Depois de sair da vagina de minha mãe, rotularam-me com um conjunto de letras às quais disseram ser meu nome. Em seguida, vestiram-me de roupas rosas com estampas florais e delicadas. Ninguém podia perguntar se era aquilo que queria usar. Mas eu também gostava de outras cores, o rosa não me agradava tanto. Preto e roxo davam-me uma certa paz. Ninguém podia perguntar se era aquilo que queria usar.

Restritos. Restritos. Sabiamente restritos. Escolhas de Maria Greyci. Quando fiz doze anos tive vontade de usar cuecas. Meus pais me olharam com desaprovação, achavam que aquilo era sinal de que gostava de mulheres. Continuava a gostar de homens. Ali nossa distância começava a tomar formas mais explícitas. Parei de usar cuecas, aprendi a gostar de calcinhas. Segui, não chorei diante da restrição deles, segui os amando, embora também amasse cuecas.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Identidade de Gênero

Arthur, 13 anos
Foto: Rafa Borges

Há momentos em que a criança se recusa a ser associado com a identidade sexual (menino ou menina), que corresponde ao seu sexo anatômico. Esta recusa não é um crescimento transitório e persistente. São as chamadas crianças transgênero. O papel dos pais é fundamental para o bem-estar das crianças transgênero, pois, à medida que vão crescendo, crianças transgêneros experienciam rejeição e muitas vezes são intimidadas, o que promove uma estigmatização e isolamento social. A reportagem divulgada pelo iGay conta como é essa experiência familiar. (Jéssika Queiroz)


Por Iran Giusti

Arthur, transexual de 13 anos: “Acham que só quero chamar atenção”

Mesmo enfrentando preconceito e incompreensão fora de casa, o adolescente teve apoio total da família para assumir gênero oposto ao de nascimento
Artur (Centro) e a família: Mãe Juliana da Silva Fernandes, os irmãos gêmeos, Enzo e Júlio e o pai Fabricio Alves.
Foto: Rafa Borges 

"Mãe, tirei zero na prova de História porque escrevi o meu nome social e não o de registro. A professora disse que eu tinha rasurado". Em seu primeiro contato com a reportagem do iGay, o menino Arthur Fernandes Alves já chega contando o problema pelo qual passou na escola. A situação exemplifica o tipo de percalço enfrentado por um menino transexual de 13 anos de idade, que vive em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

Apesar de incomodar, um problema como esse não abate Arthur. Com seus cabelos azuis e camisa preta de banda, ele é um adolescente como muitos outros, cheio de paixões e aspirações. Além dos HQs de mangás orientais, o jovem se diverte ouvindo bandas como Green Day e MyChemical Romance.
Cabeleireiro e tatuador são as profissões que Arthur pensa seguir quando for adulto. Cursando o oitavo ano do ensino fundamental, ele aprendeu inglês e japonês estudando por conta própria em casa.
Nascido menina, Arthur se percebeu diferente já aos quatro anos de idade. "Sempre gostei de andar com os meninos, o melhor presente que ganhei na minha vida foi uma pista de carrinhos", revela o adolescente, que teve a sorte de vir ao mundo num ambiente livre de preconceitos. A mãe, Juliana da Silva Fernandes, é uma bióloga de 36 anos. Psicólogo de formação, o pai, Fabrício Alves, tem 37 e trabalha como bancário.